Revisão da CAPAG: como um caso teve R$ 8,5 milhões de desconto na dívida com a União
Em um caso conduzido pelo escritório, a PGFN presumia capacidade de pagamento de cerca de R$ 27 milhões; após pedido de revisão, o valor foi reduzido para pouco mais de R$ 9 milhões. O resultado foi aproximadamente R$ 8,5 milhões de desconto sobre a dívida com a Fazenda Nacional, com o saldo restante parcelado em até 120 meses.
O caso ilustra o ponto central da transação tributária: o desconto não é negociado por simpatia, é calculado a partir de uma classificação de capacidade de pagamento. Quando essa classificação não reflete a realidade financeira da empresa, o caminho é contestar — com documentação.
O que a CAPAG mede e onde ela erra
A classificação de capacidade de pagamento da PGFN é construída com dados fiscais. O modelo enxerga faturamento e débitos inscritos, mas não incorpora automaticamente o passivo bancário, trabalhista e com fornecedores.
Com isso, uma empresa com receita relevante e endividamento elevado pode ser tratada como se tivesse folga de caixa — e receber uma proposta com desconto menor e prazo mais curto do que a situação real permitiria.
Como foi feito o pedido de revisão
A revisão exige demonstrar a capacidade de pagamento efetiva, considerando o conjunto das dívidas e o fluxo de caixa projetado. No caso, a diferença entre a presunção da PGFN e a demonstração contábil foi o que sustentou a redução.
| Etapa | Resultado |
|---|---|
| Capacidade presumida pela PGFN | Cerca de R$ 27 milhões |
| Após revisão documental | Pouco mais de R$ 9 milhões |
| Desconto aproximado | R$ 8,5 milhões |
| Saldo restante | Parcelado em até 120 meses |
O que a empresa precisa reunir
- Demonstrativo de dívida consolidada por credor e por natureza.
- Balanço patrimonial e demonstrativo de resultado dos últimos exercícios.
- Fluxo de caixa projetado incluindo o pagamento da transação.
- Provas do passivo bancário e trabalhista que consome o caixa.
- Proposta de transação e classificação atribuída pela PGFN.
O que o caso mostra para outras empresas
O primeiro aprendizado é que a classificação inicial não é definitiva. O segundo é que a revisão não depende de argumento genérico: depende de demonstrar, com números, por que a capacidade presumida não corresponde à realidade.
Empresas que chegam ao fim do prazo sem essa documentação tendem a aceitar a proposta original. O custo dessa decisão aparece no médio prazo, no valor total pago e no prazo de parcelamento.
Prazo e oportunidade
O edital de negociação com a PGFN tem janela aberta até janeiro. Quem deixa para o fim do prazo tem menos tempo para organizar documentação, revisar a classificação e comparar cenários — o que reduz a margem de negociação.
Também é preciso avaliar a sustentabilidade do acordo: parcelas que não cabem no fluxo de caixa futuro podem levar à rescisão e ao retorno da dívida ao estágio anterior.
Perguntas frequentes
O pedido de revisão da CAPAG é garantia de desconto?
Não. O resultado depende da documentação e da comprovação da capacidade real de pagamento. A revisão é um direito, mas o desfecho varia conforme o caso.
Vale a pena aderir antes de pedir revisão?
Em geral, não faz sentido aceitar a classificação original sem avaliar a revisão, porque o desconto e o prazo são definidos justamente por ela.
Fontes consultadas
O escritório Túlio Parca Advogados analisa a classificação, o passivo consolidado e o fluxo de caixa antes da adesão. Solicite uma análise jurídica e documental.
Conteúdo informativo. Resultados variam conforme a documentação e as circunstâncias de cada empresa; não há garantia de desconto.




